sábado, 20 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
silêncio / pausa (agonia)
antes tudo era caos.
hoje, ainda sem entender nada, fui tomado por uma paz que cega, que ofende.
continuo sem entender;
mas agora nem canto mais.
hoje, ainda sem entender nada, fui tomado por uma paz que cega, que ofende.
continuo sem entender;
mas agora nem canto mais.
sábado, 6 de novembro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
tempos de festa
muito menos do que reflexão e posicionamento quanto ao que o indivíduo acredita ou pensa, o que vejo (a primeira pessoa aqui é fundamental por dois grandes motivos: o primeiro deles é grande só pra mim e não vem ao caso; o segundo é o óbvio: quem vê dessa forma sou eu) é a ação coletiva-não-contestatária de uma forma institucional da política pouco questionada. o ódio por um enaltece a imagem de um outro que se constrói sobre um passado comum a tantos e que hoje pouco mais é do que um reflexo torto (pra esquerda, pra direita) daquele sobre qual, pelo santíssimo departamento de publicidade e negação, também se constrói. a santíssima igreja do Estado clama pelo voto, através do qual você, meu queridíssimo próximo, se expressa. e cada vez mais, pacientíssimo, você se torna um reflexo desforme, as vezes a esquerda as vezes a direita de um elemento comum que já nem é mais capaz de reconhecer.
em um jogo no qual um se define pela negação do outro, mas mantendo uma mesma referência (zelai por nós, Santíssimo) a mudança é quantitativa, não qualitativa. ainda prefiro o arrombamento às cifras.
em um jogo no qual um se define pela negação do outro, mas mantendo uma mesma referência (zelai por nós, Santíssimo) a mudança é quantitativa, não qualitativa. ainda prefiro o arrombamento às cifras.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Telhado dos pássaros mortos
antes, um coberto de vermes; hoje aquele secou, e este sonha em ir embora, olhando pra cima.
como já disse uma vez o enfermo francês, com o peito corroido pelas noites nos salões esfumaçados e pela saudade d'um tempo morto, é "(...) dessas horas de exceção em que se suspira por qualquer coisa diferente do que existe, e em que aquêles a quem a falta de energia ou de imaginação impede de tirar de si mesmos um princípio de renovamento, pedem ao minuto que vem, ao carteiro que bate, que lhes traga algo novo, ainda que seja o pior, uma emoção, uma dor; em que a sensibilidade, que a felicidade fêz calar como uma harpa ociosa, quer ressoar sob uma mão, ainda que brutal, ainda que lhe rebente as cordas; em que a vontade, que tão dificilmente conquistou o direito de entregar-se sem obstáculos a seus desejos, a suas penas, deseja entregar as rédeas às mãos de acontecimentos imperiosos, por cruéis que sejam."
como já disse uma vez o enfermo francês, com o peito corroido pelas noites nos salões esfumaçados e pela saudade d'um tempo morto, é "(...) dessas horas de exceção em que se suspira por qualquer coisa diferente do que existe, e em que aquêles a quem a falta de energia ou de imaginação impede de tirar de si mesmos um princípio de renovamento, pedem ao minuto que vem, ao carteiro que bate, que lhes traga algo novo, ainda que seja o pior, uma emoção, uma dor; em que a sensibilidade, que a felicidade fêz calar como uma harpa ociosa, quer ressoar sob uma mão, ainda que brutal, ainda que lhe rebente as cordas; em que a vontade, que tão dificilmente conquistou o direito de entregar-se sem obstáculos a seus desejos, a suas penas, deseja entregar as rédeas às mãos de acontecimentos imperiosos, por cruéis que sejam."
terça-feira, 12 de outubro de 2010
cidades paralelas
o centro cresceu, floresceu e morreu. hoje, sem meias palavras só restam fachadas que escondem os escombros d'um passado que, diz minha avó, já foi dourado e com cheiro de café. hoje o coração daquela cidade fede a fertilizante e água podre.
mas o mais difícil de não reparar é como aquele miolo em ruínas continua de pé, sustentato por pessoas que moram nos arredores, nos subúrbios; é como o coração da cidade, estagnado, é mantido falsamente vivo. a cidade parece crescer sobre uma morte anunciada: por mais que se derrame entre mar e serra, por mais que aumente, sustenta em seu antigo centro a própria ruína. a cidade canta uma ode a um passado agora sem significado.
mas o mais difícil de não reparar é como aquele miolo em ruínas continua de pé, sustentato por pessoas que moram nos arredores, nos subúrbios; é como o coração da cidade, estagnado, é mantido falsamente vivo. a cidade parece crescer sobre uma morte anunciada: por mais que se derrame entre mar e serra, por mais que aumente, sustenta em seu antigo centro a própria ruína. a cidade canta uma ode a um passado agora sem significado.
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